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“Tanto se fala em aeroporto em Carazinho, que os papagaios-charões
também reivindicam a manutenção e melhoria dos seus”.
É o que defende o Zootecnista e Pesquisador Marcelo De Negri
Xavier, atual Diretor do Departamento Municipal do Meio Ambiente de Carazinho.
Há mais de vinte anos trabalhando com pesquisas ambientais,
e com o papagaio-charão, Amazona pretrei, desde 1991, época
em que esta espécie começou a freqüentar o Parque Municipal
de Carazinho, Marcelo Xavier explica que os papagaios foram atraídos
para a área do parque pela monocultura de pinheiros, principalmente
das araucárias.
“Ocorre que numa floresta assim, plantada em monocultura, como
ocorreu com aquelas araucárias do parque, forma-se um ambiente pobre
em biodiversidade, e conseqüentemente, também em quantidade
e diversidade de predadores. Papagaio é bicho esperto, e como bom
viajante, escolhe as paragens mais seguras. Assim tem procedido utilizando
como dormitório coletivo matas plantadas de eucaliptos e pinus pelo
Rio Grande do Sul e Santa Catarina, região de ocorrência atual
desta espécie de papagaio”.
De acordo com Xavier, até o ano de 1998, os papagaios
ainda vinham pernoitar no parque em grandes bandos.
"Imaginem o espetáculo! Perto de quinhentos charões
voando e revoando por meia hora em algazarra antes do anoitecer. Eles apareciam
antes da primavera, para passar o seu período reprodutivo. Então,
diariamente, à tardinha, eles iam chegando no parque em pequenos
bandos, e alguns dos primeiros costumavam aportar direto nos altos eucaliptos
do parque, enquanto esperavam o resto do bando chegar. Nestas copas proeminentes,
além da segurança das alturas, eles podiam ver e ser vistos
pelos companheiros, quando então, à medida que os outros
iam chegando ao parque, os pousados iam chamando a turminha. Só
depois, é que estes iam para revoadas e acomodação
nas araucárias”, explica Xavier.
Entre as sugestões para alguma área do parque está
o plantio de eucaliptos de qualidade para serem empregados em obras públicas
e para auxiliar as famílias de baixa renda.
O Diretor do Departamento Municipal de Habitação,
Paulo Gonçalves, tem necessitado de cepos para as reformas das casas
de muitas pessoas no município, e para isto, tem conseguido importante
apoio da ELETROCAR.
Os postes de eucalipto da ELETROCAR são tratados contra
as intempéries, e Gonçalves tem aproveitado postes de descarte,
como os atingidos por raios entre outros. Mas a quantidade deste descarte
é bastante aquém da necessidade. E podem muito bem ser produzidos
no parque a custo quase zero, para depois serem colhidos e levados para
tratamento.
Também o Secretário de Obras, André Branda,
tem necessitado de pranchas e vigas para reformar pontes no interior do
município.
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Foto: Marcelo De Negri Xavier
A área do Parque Municipal tem 206 hectares e tem sido
historicamente utilizada para diversos fins no atendimento à comunidade
de Carazinho.
Horta comunitária; viveiro de mudas de árvores; plantação
de milho verde; igrejas; clubes como o de tiro, caça e pesca; clínica
de recuperação de dependentes químicos; acampamentos
de festival de música nativista; pista de rodeio campeiro; de motocross;
jardim zoológico; balneário; entre outros.
"Como o próprio nome diz, o Parque é do município
e é público, ou seja, de todos nós Carazinhenses que
pagamos nossos impostos. Nada mais correto que todos nós decidirmos
juntos a utilização que queremos para área. E é
este o escopo central do nosso projeto 'O Parque Para Todos", diz Marcelo.
E complementa: ”imprescindível, é que façamos
também o que chamo de passaporte no tempo, um salvo conduto que
mantenha estável no tempo as utilizações que toda
a comunidade decidir de modo coletivo neste nosso grande empenho participativo.
Daí, a importância do Conselho do Meio Ambiente e da Câmara
de Vereadores também neste caso, para analisar e votar qualquer
alteração futura do que ficar estipulado".
Fonte: Assessoria de Imprensa. Prefeitura
Carazinho - RS - 2009-03-30 |