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 Carazinho, domingo, 05 de abril de 2009 
  Coluna do Bem-te-vi de Cá*
 
Que relação torta é esta?
 
Em Carazinho, agora 
a pessoa precisa pensar mil vezes 
antes de plantar uma árvore nativa em seu pátio.
 
Está condenado a desaparecer o prazer daquela velha sombra 
onde o gaúcho de carazinho tomava seu mate tranquilo.
 
Em Carazinho,
a relação de amor, de encanto pela natureza está sendo 
forçosamente quebrada.
 
Aquela simples relação de amor, de prazer 
pela proximidade com a natureza não tem mais espaço.
 
Agora, por força de lei, pesa sobre o carazinhense 
a obrigação legal de amar a natureza.
 
Há sim obrigação!
Há que se aguentar, seja prazerosa ou não, a presença em seu jardim de qualquer árvore considerada nativa.
 
Ninguém ama por decreto!
Isto é contra a própria natureza do amor!
Nem todas as árvores são boas para este ou aquele lugar, eternamente!
 
Esta lei, que supostamente foi feita para o bem da natureza, 
assim como está é completamente contraproducente!
 
Está desestimulando as pessoas de plantarem árvores em seus jardins, já que jamais poderão manejá-las.
 
Se plantar uma que venha a soltar muitas folhas, ou a produzir muitos frutos e isto atrapalhar a limpeza do pátio ou das calhas, por exemplo, 
ou se simplesmente o sujeito mudar de idéia, e resolver querer mais sol
para amenizar o sofrimento de sua velhice nos rigores do inverno sulino,
ele não pode.
 
 Nem trocar uma árvore nativa por outra,
mesmo sendo o terreno de sua propriedade,
mesmo pagando os rigorosos impostos em dia,
ele não pode.
E os pobres sofrem mais.
 
Ter uma sombra no pátio agora não é mais para qualquer um.
 
 Para trocar de árvore, o sujeito tem que trocar de terreno,
pois a lei aprovada em 06 de novembro de 2007
não contempla esta possibilidade.
 
E os terrenos arborizados já estão perdendo cotação no mercado local, 
em oposição ao terrenos "limpos".
 
Uma  absurda impropriedade feita por gente despreparada. 
Gente que não conhece gente!
E aprovado na Câmara de Vereadores por edis igualmente despreparados, que vão tolos na onda verde, em que supostamente qualquer coisa apresentada como ambientalmente boa de fato o seja.
 
Já não basta o desaparecimento dos pinheirinhos dos jardins, praticamente à extinção, como ocorreu nos últimos vinte anos, desde que começaram a encrencar com o pessoal que os cultivava para colhê-los e enfeitá-los na tradição cristã dos presépios natalinos.
 
Segundo esta lei municipal,
a árvore não é mais um "BEM DE INTERESSE COMUM" 
conforme muito apropriadamente reza o constitucional para o resto do Brasil,
mas em Carazinho, quem possui árvore, na verdade não mais possui
pois diante desta lei, o cidadão tem ela expropriada de seu patrimônio, 
já que a lei textualmente diz que as árvores são um "BEM COMUM", 
ou seja, de todos.
 
Alguém aí em Carazinho tem ainda coragem suficiente para
plantar árvore em propriedade sua?
 
É assim que se estimula o amor à natureza?
 
 Ditadura?
 
Amar "na marra", 
no mundo inteiro tem outro nome!
 
 
 
 *Bem-te-vi de Cá é um pseudônimo de Marcelo De Negri Xavier,
para assuntos mais contraditáveis e controvertíveis.

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